terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Falha faz MEC estender seleção pelo Enem

Falha faz MEC estender seleção pelo Enem

Decisão judicial leva MEC a prorrogar inscrições de seleção para federais
Autor(es): Lisandra Paraguassu
O Estado de S. Paulo - 18/01/2011


Após dois dias tumultuados, as inscrições no Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que usa a nota do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para distribuir vagas em instituições federais e estaduais, foram prorrogadas por ordem judicial.

Os alunos terão até quinta-feira, às 23h59, para tentar uma das 83 mil vagas disponíveis em 83 instituições. As matrículas passaram para 27 a 31 de janeiro. Mais duas chamadas serão abertas, nos dias 4 e 13 de fevereiro.

A Defensoria Pública da União (DPU) no Ceará anunciou que entrará hoje com pedido de liminar para que as inscrições sejam suspensas até que os candidatos do Enem 2010 tenham acesso ao espelho da correção da folha de respostas e aos argumentos da banca examinadora da redação.

Por conta da determinação judicial de adiar o prazo final do Sisu, o Ministério da Educação optou por adiar o início das inscrições para o Programa Universidade para Todos (ProUni) para a próxima sexta-feira.

Apesar de ser um sistema separado, o ProUni também usa os resultados do exame e poderia aumentar a sobrecarga dos computadores do MEC.

Desde o primeiro dia de inscrições, o Sisu tem apresentado problemas. Há dificuldades de reconhecimento de senhas e bloqueios ao acesso. Segundo o MEC, a capacidade de acesso foi dobrada do ano passado para cá - de 150 por minuto para 300. Em 2010, apesar de os números serem bem menores, o sistema também travou por dias.

A ampliação não atendeu à demanda. Dentro do ministério, a avaliação é de que não foi levado em conta que a facilidade de acesso à internet aumentou. Além disso, mais jovens conheceram o sistema, fizeram o Enem e decidiram tentar a sorte nas públicas.

Até o final da manhã de ontem, 500 mil alunos haviam feito suas inscrições. Mas o número representa só 15% dos que participaram do Enem. A expectativa era de que outros 100 mil conseguissem se inscrever até a noite.

Dimensionado para atender 300 alunos por minuto, o sistema atendia a 400. Em picos de acesso, 850 pessoas tentaram o acesso ao mesmo tempo, o que congestionou o sistema.

A partir de ontem, o ministério passou a controlar o acesso e limitar o tempo de permanência a 20 minutos. Depois, é preciso tentar de novo. Se a página aberta não for navegada durante 10 minutos, é fechada. O MEC alega que é preciso reduzir o tempo de navegação para permitir o acesso de mais estudantes.

Na tarde de ontem, o ministro Fernando Haddad teve a segunda reunião com a presidente Dilma Rousseff sobre a ampliação do ensino médio profissionalizante. A intenção do governo é oferecer cada vez mais vagas de ensino médio em tempo integral - parte conteúdo regular, parte ensino profissionalizante.

Será o "ProUni do Ensino Médio", proposto por Dilma durante a campanha. Na época, ela queria dar bolsas de estudos a jovens que quisessem estudar em escolas particulares, mas foi convencida de que o problema não é a falta de vagas, mas a de interesse dos alunos, especialmente por falta de perspectiva melhoria de acesso ao mercado de trabalho.

Não há prazo para o ministério apresentar metas ou um plano detalhado de expansão.

Ceará. Carlos Henrique Gondim, da Defensoria Pública da União no Ceará, disse não saber se ajuizará nova ação civil pública (ACP) ou mover pedido de liminar a partir de uma ACP existente, com mesmo objetivo: questionar a legalidade de um item do edital do Enem 2010 que não permite ao candidato interpor recursos e obter vistas de provas. "Existem irregularidades e fundamento legal para que a gente saia vitorioso", afirmou. "O Enem deve obedecer os princípios constitucionais que regem um concurso público." Se a liminar for concedida, a suspensão valerá para todo o País.

Gondim entraria com pedido de liminar ontem, mas desistiu ao ser comunicado do adiamento do prazo de inscrições no Sisu para as 23h59 de quinta.

Os problemas que os candidatos enfrentam para acessar o Sisu ainda não chegaram à DPU. Segundo o órgão, nova ação civil pública poderá ser ajuizada caso os defensores constatem que erros do site estão causando prejuízos. / COLABOROU FELIPE MORTARA, ESTADÃO.EDU


COMO PROCEDER

Representação no Estado
Os candidatos prejudicados devem procurar o Ministério Público Federal em seu Estado e fazer uma representação, que será distribuída a um procurador da República.

E no DF
Como a questão envolve o Ministério da Educação, o recurso deverá ser encaminhado posteriormente ao MPF do Distrito Federal.

Pela internet
A ação também pode ser feita no site prdf.mpf.gov.br, clicando no link "Denúncia".

Precauções
Edson Bortolai, vice-presidente nacional da Comissão do Exame da Ordem dos Advogados do Brasil, sugere que o candidato envie emails ao MEC com cópia para o Ministério Público de seu Estado, o que serviria como documentação caso seja necessário entrar com recurso.

Responsável pelo Enem cai, e Sisu é prorrogado

Responsável pelo Enem cai, e Sisu é prorrogado

Enem: nova falha agrava crise
Autor(es): A gência o globo : Demétrio Weber e Lauro Neto
O Globo - 18/01/2011

Ministro decide demitir presidente do Inep, e Sisu é prorrogado em meio a erros



As falhas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2010, agravadas desde domingo pela lentidão do sistema de informática que faz as inscrições no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), derrubaram mais um presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação responsável pelo exame. Joaquim Neto, presidente do Inep, deixará o cargo até o início de fevereiro. Ontem, o MEC prorrogou as inscrições no Sisu - que terminariam hoje - até quinta-feira, às 23h59m. A prorrogação foi anunciada no segundo dia de lentidão do sistema de inscrição, que é feita exclusivamente pela internet.

Ontem à noite, mais um erro grave atingiu o site do Sisu. Estudantes relataram que estavam conseguindo acessar dados de outros candidatos. Valéria Marins contou que na única vez que conseguiu entrar na página do Sisu para fazer inscrição com seu filho Luís Felipe, o site carregou os dados de outra candidata.

- Apareceram os dados de Marilza Aparecida Sena, cujo número de inscrição é totalmente diferente. Na tela, apareceu o nome dela, suas notas e opções. O sistema está permitindo violação de dados. Isso é um absurdo. Vi que não era o do meu filho e saí. Mas será que outras pessoas vão ter essa linha de pensamento? - perguntou Valéria.

O MEC admitiu que candidatos tiveram acesso a dados pessoais e notas de outros participantes. Segundo o MEC, isso ocorreu por volta das 20h, quando a página do Sisu foi reativada, após ter ficado cerca de 30 minutos fora do ar, das 19h30m às 20h. O ministério diz que o problema foi corrigido ontem à noite e que não estaria mais ocorrendo, mas não há estimativa do número de participantes que tiveram acesso a dados de terceiros.

O Sisu oferece 83.125 vagas em 83 instituições federais e estaduais de ensino superior, tendo como único critério as notas no Enem 2010. Até o fim de tarde, o MEC já havia registrado 600 mil inscrições. Mas, em todo o país, havia relatos de estudantes que ficavam horas na frente do computador sem conseguir completar a inscrição no sistema.

Acesso ao site cai em 20 minutos

Ao anunciar a prorrogação, o MEC pegou carona numa decisão da Justiça Federal do Rio referente à UFRJ. Na semana passada, a Justiça determinou que a reserva de vagas adotada pela UFRJ para estudantes da rede estadual fluminense fosse estendida à rede pública de todo o país, no Sisu. Nessa decisão, que acatou pedido do Ministério Público Federal, a Justiça ordenou também a prorrogação das inscrições do Sisu por 48 horas. Nem a UFRJ nem o ministério recorrerão contra a determinação.

O MEC também decidiu limitar a 20 minutos o tempo de acesso dos estudantes à página do Sisu onde é efetivada a inscrição. Isso ocorreu após técnicos do ministério detectarem um caso de candidato que ficou mais de um hora. As simulações de inscrição podem ser feitas sem limitação de tempo em outra página.

A prorrogação do prazo de inscrições no Sisu até quinta-feira levou o MEC a adiar também o início das inscrições no programa Universidade para Todos (ProUni), que oferecerá neste semestre 123.170 bolsas em instituições privadas. As inscrições no ProUni, previstas para começar amanhã, só terão início na sexta-feira.

A saída de Joaquim Neto será oficializada até fevereiro. No MEC, a informação é a de que o presidente do Inep pediu demissão ainda no ano passado, em meio ao desgaste decorrente das falhas na impressão de provas e no cabeçalho das folhas de respostas. O erro de impressão em 21 mil cadernos de prova da cor amarela foi assumido pela gráfica RR Donnelley e levou o MEC a reaplicar o parte do Enem a cerca de dez mil candidatos. A confusão, porém, levou a Justiça Federal do Ceará a suspender o exame, inclusive a divulgação dos gabaritos.


Joaquim Neto acompanhou o ministro Fernando Haddad em audiências públicas na Câmara e no Senado, onde passou pelo constrangimento de ouvir, em silêncio, críticas de parlamentares de oposição.

- Sou um professor universitário, olha o que estão fazendo comigo - teria dito Neto, na época.

O atual presidente do Inep assumiu o cargo em dezembro de 2009, no lugar do então presidente Reynaldo Fernandes, outro que deixou o instituto por causa de falhas no novo Enem. A edição de 2009 do Enem acabou sendo adiada, depois do vazamento de provas. Naquele ano, um caderno de questões foi roubado da gráfica.

O MEC convidou a reitora da Universidade Federal do Estado do Rio (UniRio), Malvina Tuttman, para substituir Joaquim Neto à frente do Inep. Ela ainda não deu resposta.

O ministro Fernando Haddad fará uma reformulação interna, com criação e extinção de secretarias. Será criada uma nova secretaria de regulação, com a tarefa de autorizar a criação e renovar o reconhecimento de cursos de graduação, presenciais e à distância. A nova secretaria assumirá funções das atuais Secretaria de Educação Superior, Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica e da Secretaria de Educação à Distância. Esta será extinta. Da mesma forma, a Secretaria de Educação Especial será fundida com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Matrícula em cursos tecnológicos sobe 26%

Apesar do incentivo do governo federal e das redes estaduais, oferta é maior nas instituições privadas de ensino

Enquanto o ensino superior brasileiro demonstra, de forma geral, sinais de estagnação, as graduações tecnológicas despontam com crescimento notável. Dados do novo Censo da Educação Superior revelam que o número de matrículas em tecnólogos cresceu 26,1% - o índice geral dos cursos subiu apenas 2,5%.

Segundo o censo, os 486.730 alunos dos cursos tecnológicos hoje representam 11% do total do país. Nos últimos anos, os governos federal e estaduais têm investido no ensino técnico, tanto na educação básica quanto na superior.

Durante a cerimônia de posse no início do ano, a presidente Dilma Rousseff (PT) prometeu ampliar o Programa Universidade para Todos (ProUni) para o ensino médio e profissionalizante. Apesar dos incentivos públicos, o censo mostra que a grande expansão se concentrou na rede particular de ensino.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a importância dos cursos tecnólogos se deve ao fato de terem curta duração e de serem voltados especificamente para o mercado de trabalho. "A aceitação rápida no mercado, a duração e também os preços mais baratos das mensalidades atraem", diz o pró- reitor da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), Danilo Duarte.

Para o presidente da Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior (Abmes), Gabriel Rodrigues, os tecnólogos atraem um público mais velho e que já está no mercado. "São pessoas que querem ter uma formação na área em que trabalham", diz.

É o caso de Géssica Damasceno, de 21 anos. Ela cursa Visagismo e Estética Capilar, curso da Unicsul que foca em técnicas que valorizam a beleza. "Já trabalho como cabeleireira e queria me aprofundar em tudo que existe sobre a área", conta.

Apesar do crescimento, os tecnólogos ainda enfrentam preconceito. Em outubro, reportagem do Estado mostrou que empresas estatais, como a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal excluem os tecnólogos dos editais de concurso.

Para Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), o preconceito tende a diminuir. "É uma questão de tempo. O mercado não pode se dar ao luxo de recusar mão de obra de qualidade."

(O Estado de SP, 14/1)

Graduação em engenharia cresce 67% em cinco anos

Levantamento do Ministério da Educação mostra aumento de 33 mil para 55 mil formandos por ano entre 2004 e 2009

Levantamento divulgado na quinta-feira (13/1) pelo Ministério da Educação mostra que o número de formados na área de engenharia cresceu 67% em cinco anos -após quase duas décadas de estagnação.

O mercado diz, porém, que o volume ainda é insuficiente para atender a demanda. De acordo com o Censo da Educação Superior, o número de concluintes no setor subiu de 33 mil para 55 mil entre 2004 e 2009.

Mas, mesmo com o crescimento, o Brasil está muito atrás de outros países em desenvolvimento, como a Coreia do Sul (80 mil). Devido à carência na área, empresas acabam contratando estrangeiros.

Segundo Nival Nunes de Almeida, da Associação Brasileira de Ensino de Engenharia, o Brasil precisaria formar 80 mil engenheiros/ ano, de acordo com um estudo feito com a Confederação Nacional da Indústria.

Almeida ressalta que parte dos engenheiros vai para o mercado financeiro e não para o setor produtivo.

Responsável pela área técnica do Sindicato da Indústria da Construção Pesada de São Paulo, Helcio Farias afirma que o aumento de formados na área é positivo. No entanto, diz, a demanda cresce mais rapidamente.

Os dados oficiais mostram que, além da quantidade, há também o desafio de melhorar a qualidade. A última avaliação mostrou que um em cada quatro engenheiros se forma em curso reprovado.

O censo do Ministério da Educação confirmou que há uma tendência de aumento de concluintes para lecionar matérias carentes no ensino básico (física, química, biologia e matemática), conforme informou a Folha em setembro -mesmo que em uma quantidade insuficiente.

Outra constatação presente no levantamento é que o ritmo de crescimento universitário perdeu força, ainda que cerca de apenas 15% dos jovens estejam no ensino superior. A meta do governo é chegar a 33% até 2022.

A comparação com dados dos anos anteriores, no entanto, foi prejudicada, pois o MEC tornou mais rígida a coleta de informações.

"O panorama não é bom. Há 40 mil vagas públicas ociosas e 1,6 milhão na rede privada. O governo precisa atuar para preenchê-las", disse Oscar Hipólito, do Instituto Lobo e ex-diretor da USP-São Carlos.

(Fábio Takahashi, Fabiana Rewald, Patrícia Gomes e Angela Pinho)

(Folha de SP, 14/1)

MEC avalia 34% das graduações como insatisfatórias

Valor Econômico - 14/01/2011

Quase 34% dos cursos universitários avaliados pelo Ministério da Educação (MEC) foram classificados como insatisfatórios em 2009. Ao todo, 1.696 graduações obtiveram nota 1 ou 2 no Conceito Preliminar de Curso (CPC), em escala que vai de 1 a 5. O indicador avalia a qualidade de ensino a partir do resultado do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), a titulação e o regime de trabalho do corpo docente e a infraestrutura oferecida. Os resultados 1 e 2 são considerados insatisfatórios; 3, razoável; 4 e 5, bons.

Foram avaliados 6.804 cursos de 22 áreas. A maioria deles (51,47%) foi considerada razoável, com nota 3, e 15% atingiram CPC 4 e 5. Apenas 5,5% obtiveram a nota máxima, que garante conceito de excelência ao programa. Das 25 instituições que conseguiram nota 5, 10 são públicas e 15, particulares.

Todos os cursos com nota inferior a 3 serão visitados por comissões de supervisão do MEC. A partir do diagnóstico, o ministério e a instituição de ensino superior firmam protocolo de compromisso com medidas para sanar as deficiências, como a redução das vagas e a proibição de novos ingressos.

O ministro Fernando Haddad disse que os cursos mal avaliados - com notas 1 e 2 - não poderão assinar contratos com o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies). Cerca de 25% dos cursos se enquadram nessa situação. "Se os cursos não têm qualidade, não podem receber dinheiro público", afirmou Haddad.

Ao menos 15 faculdades perderam a autonomia universitária por causa do baixo desempenho no CPC. Foram punidas as instituições que apresentaram conceitos insatisfatórios em 2007, 2008 e 2009. Com o fim da autonomia, elas não podem criar cursos ou aumentar o número de vagas até apresentarem resultado satisfatório nas próximas edições da avaliação.

O MEC também divulgou o Censo da Educação Superior de 2009, que mostra recuo de 2% nas matrículas das universidades públicas em relação a 2008, para 1,523 milhão de ingressos. No total, as matrículas do ensino superior, público e privado, atingiram 5,9 milhões em 2009, crescimento de 2,5% em relação ao ano anterior. Entre 2002 e 2009, as matrículas cresceram cerca de 70%, de 3,5 milhões para 5,9 milhões.

Teste do MEC reprova 39% das universidades

Reprovação em massa
Autor(es): A gência o globo : Demétrio Weber
O Globo - 14/01/2011

Avaliação do MEC reprova 39% das instituições de ensino superior; 15 serão punidas

OMinistério da Educação (MEC) reprovou 699 instituições de ensino superior, o equivalente a 39% das que participaram de todo o processo de avaliação em 2009 e receberam um conceito ao final. Ao divulgar os resultados, o ministro Fernando Haddad anunciou ontem as primeiras punições para quatro universidades e 11 centros universitários com fraco desempenho nas últimas três avaliações.

O MEC suspendeu a autonomia acadêmica dessas 15 instituições de ensino, todas privadas. Assim, elas podem continuar funcionando, mas estão impedidas de criar novos cursos e ampliar o número de vagas sem autorização do ministério.

Quatro delas são do Rio de Janeiro: a Universidade Iguaçu (Unig), a Universidade Santa Úrsula, o Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) e o Centro Universitário Moacyr Sreder Bastos.

Em outra frente, Haddad anunciou que 12 faculdades reprovadas com nota mínima no triênio 2007-2009 serão inspecionadas no início deste semestre. Uma delas é do Rio: a Faculdade de Reabilitação da Asce (Frasce).

Dependendo da decisão das comissões de especialistas que visitarem essas 12 instituições, elas poderão sofrer corte de vagas, suspensão de vestibulares ou mesmo ter de fechar as portas. O mais provável é que firmem um termo de compromisso para adotar medidas saneadoras no prazo de um ano.

Haddad disse que os estudantes brasileiros devem analisar os resultados antes de se matricularem:

- É um momento oportuno porque os estudantes estão fazendo as suas escolhas neste momento.
O ministro disse que é a primeira vez que o ministério adota restrições a instituições de ensino com base no mau desempenho nas avaliações. Antes, isso só havia sido feito em relação a cursos.
- Muitas instituições foram credenciadas no passado sem observância de critérios objetivos - disse o ministro. - Não adianta uma instituição tentar captar alunos pelo preço. Não queremos esse tipo de competição. O Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) corrige uma concorrência predatória.

Nota máxima só para 25 instituições

Os resultados divulgados ontem são os do Índice Geral de Cursos (IGC), indicador criado pelo MEC para avaliar instituições de ensino como um todo e não cursos isoladamente. No topo do ranking, a nota máxima 5, na escala de 1 a 5, foi concedida a somente 25 instituições.

A Escola Brasileira de Economia e Finanças (Ebef), do Rio, obteve a mais alta pontuação do país: com IGC 5, ela atingiu 487 pontos. A Ebef participou da avaliação com um curso. Entre as universidades, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesf) lidera o ranking, também com IGC 5 e 440 pontos. Entre os centrosuniversitários, o Centro Universitário Municipal de São José, de Santa Catarina, foi o único a obter índice 5, com 406 pontos.

O IGC tem como base o Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) dos três anos anteriores, a avaliação trienal de mestrados e doutorados feita pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a titulação e o regime de trabalho dos professores e a opinião de alunos sobre a infraestrutura física e o projeto pedagógico.

O índice adota uma escala de 1 a 5, sendo que são reprovadas as instituições que recebem 1 ou 2. Das 699 instituições reprovadas, 12 receberam a nota mínima 1 e 687, a nota 2.

Além do IGC, o MEC divulgou os Conceitos Preliminares de Curso (CPC), que servem de base para o índice das instituições. Dos 6.804 cursos avaliados, 1.696 foram reprovados com conceitos 1 e 2, na escala até 5 (33,9% do total que recebeu conceitos). Apenas 66 receberam a nota máxima 5.

As quatro universidades e os 11 centros universitários punidos com suspensão da autonomia foram reprovados pelo menos duas vezes nos IGCs calculados em 2007, 2008 e 2009. No caso das quatro instituições do Rio, elas tiraram índice 2 nas três vezes.

O MEC vai fazer inspeções nos cursos de instituições reprovadas. No caso das 15 que tiveram maus resultados nos últimos IGCs, um novo fracasso no índice de 2010 poderá levar a um rebaixamento definitivo, isto é, universidades podem ser transformadas em centro universitário, e centro universitário em faculdade, com perda definitiva de autonomia.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Opinião - Educação: da quantidade à qualidade

Artigo de Frei Betto comenta a atual situação da Educação brasileira e seus desafios

* FREI BETTO

A presidente Dilma promete priorizar a Educação. No Brasil, apenas 10% da população concluíram o ensino superior; 23% o médio, e 36% não terminaram o fundamental. O ministro Fernando Haddad se compromete a adotar tempo integral no ensino médio, combinando atividades curriculares com aprendizado profissionalizante. São promessas às quais se soma a de aplicar 7% do Produto Interno Bruto (PIB) na Educação (hoje, apenas 5,2%, cerca de R$ 70 bilhões).

O governo Lula avançou muito na área: criou 14 universidades públicas e mais de 130 expansões universitárias; a Universidade Aberta do Brasil (ensino a distância), cuja qualidade é discutível; construiu mais de 100 câmpus universitários pelo interior do país; criou e/ou ampliou Escolas técnicas e institutos federais e, por meio do Programa Universidade para Todos (ProUni), possibilitou a mais de 700 mil jovens o acesso ao ensino superior.

Outro avanço é a universalização do ensino fundamental, no qual se encontram matriculados 98% dos brasileiros de 7 a 14 anos. Porém, quantidade não significa qualidade. Ainda há muito a fazer. Estão fora da Escola 15% dos jovens entre 15 e 17 anos. Ao desinteresse, principal motivo, alinham-se a premência de trabalhar e a dificuldade de acesso à Escola.
Tomara que a proposta de tempo integral do ministro Haddad se torne realidade.

Nos países desenvolvidos os alunos permanecem na Escola, em média, oito horas por dia. No Brasil, quatro horas e meia. Pesquisas indicam que, em casa, passam o mesmo tempo diante da TV e/ou do computador. Nada contra, exceto o risco de obesidade precoce. Mas como seria bom se TV a emitisse mais cultura e menos entretenimento e se na internet fossem acessados conteúdos mais educativos!

Os estudantes brasileiros leem 7,2 livros por ano, dos quais 5,5 são didáticos ou indicados pela Escola. Apenas 1,7 livro por escolha própria. E 46% dos estudantes não frequentam bibliotecas.

No Programa Internacional de Avaliação de alunos 2009 (Pisa), aplicado em 65 países, o Brasil ficou em 53º lugar. Na escala de 1 a 800 pontos, nosso país alcançou 401. No quesito leitura, 49% de nossos alunos mereceram nível 1 (1 equivale a conhecimento rudimentar e 6 ao mais complexo). Nível 1 também para 69% de nossos alunos em matemática e para 54% em ciências.

O Pisa é aplicado em alunos(as) de 15 anos. Nas provas de matemática e leitura, apenas 20 alunos (0,1%), dos 20 mil testados, alcançaram o nível 6 em leitura e matemática. Em ciências, nenhum. No conjunto, é em matemática que nossos alunos estão mais atrasados: 386 pontos (o máximo são 800). O Ministério da Educação apostava atingirem 395. Na leitura, nossos alunos fizeram 412 pontos, e em ciências, 405.

Estamos tão atrasados que o Plano Nacional de Educação prevê o Brasil alcançar, no Pisa, 477 pontos em 2021. Em 2009, a Lituânia alcançou 479; a Itália, 486; os EUA, 496; a Polônia, 501; o Japão, 529; e a China, campeã, 577.

Nos países mais desenvolvidos, 50% do tempo de instrução obrigatório aos alunos de 9 a 11 anos e 40% do tempo para os alunos de 12 a 14 anos é ocupado com ciências, matemática, literatura e redação. E, no ensino fundamental, não se admitem mais de 20alunos por classe.

Onde está o nosso tendão de aquiles? Na falta de investimentos – em qualificação de professores, plano de carreira, equipamentos nas Escolas (informática, laboratório, biblioteca, infra desportiva etc.).

Análise de 39 países, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2010, revela que o investimento do Brasil em Educação corresponde a apenas 1/5 do que os países desenvolvidos desembolsam para o setor. EUA, Reino Unido, Japão, Áustria, Itália e Dinamarca investem US$ 94.589 (cerca de R$ 160 mil) por aluno no decorrer de todo o ciclo fundamental. O Brasil investe apenas US$ 19.516 (cerca de R$ 33 mil).

Embora a Organização Mundial do Comércio (OMC) tenha insinuado retirar a Educação da condição de dever do Estado e direito do cidadão e transformá-la em simples negócio – ao que o governo Lula se contrapôs decididamente –, os 5,2% do PIB que nosso país aplica naEducação são insuficientes. O que favorece a multiplicação de Escolas e universidades particulares de duvidosa qualidade. Entre os países mais ricos, derivam do poder público 90% do investimento em ensinos fundamental e médio.

Ainda convivemos com cerca de 14 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais. Sem contar os analfabetos funcionais. Dos 135 milhões de eleitores em 2010, 27 milhões não sabiam ler nem escrever. Faltou ao governo Lula um plano eficiente de alfabetização de jovens e adultos.

Tomara que Dilma cumpra a promessa de criar 6 mil creches e o Ministério da Educação se convença de que alfabetização de jovens e adultos não se faz apenas com dedicados voluntários. É preciso magistério capacitado, qualificado e bem remunerado.

Todos gostariam que seus filhos tivessem ótimos professores. Mas quem sonha em ver o filho professor? Na Coreia do Sul, onde são tão bem remunerados quanto médicos e advogados, e socialmente prestigiados, todos conhecem o provérbio: “Jamais pise na sombra de um professor”.

* Frei Betto é escritor, autor de Alfabetto – Autobiografia Escolar (Ática), entre outros livros.
www.freibetto.org – Twitter: @freibetto

Fonte: Estado de Minas (MG)