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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Matrícula em cursos tecnológicos sobe 26%

Apesar do incentivo do governo federal e das redes estaduais, oferta é maior nas instituições privadas de ensino

Enquanto o ensino superior brasileiro demonstra, de forma geral, sinais de estagnação, as graduações tecnológicas despontam com crescimento notável. Dados do novo Censo da Educação Superior revelam que o número de matrículas em tecnólogos cresceu 26,1% - o índice geral dos cursos subiu apenas 2,5%.

Segundo o censo, os 486.730 alunos dos cursos tecnológicos hoje representam 11% do total do país. Nos últimos anos, os governos federal e estaduais têm investido no ensino técnico, tanto na educação básica quanto na superior.

Durante a cerimônia de posse no início do ano, a presidente Dilma Rousseff (PT) prometeu ampliar o Programa Universidade para Todos (ProUni) para o ensino médio e profissionalizante. Apesar dos incentivos públicos, o censo mostra que a grande expansão se concentrou na rede particular de ensino.

Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a importância dos cursos tecnólogos se deve ao fato de terem curta duração e de serem voltados especificamente para o mercado de trabalho. "A aceitação rápida no mercado, a duração e também os preços mais baratos das mensalidades atraem", diz o pró- reitor da Universidade Cruzeiro do Sul (Unicsul), Danilo Duarte.

Para o presidente da Associação Brasileira de Mantenedores do Ensino Superior (Abmes), Gabriel Rodrigues, os tecnólogos atraem um público mais velho e que já está no mercado. "São pessoas que querem ter uma formação na área em que trabalham", diz.

É o caso de Géssica Damasceno, de 21 anos. Ela cursa Visagismo e Estética Capilar, curso da Unicsul que foca em técnicas que valorizam a beleza. "Já trabalho como cabeleireira e queria me aprofundar em tudo que existe sobre a área", conta.

Apesar do crescimento, os tecnólogos ainda enfrentam preconceito. Em outubro, reportagem do Estado mostrou que empresas estatais, como a Petrobrás e a Caixa Econômica Federal excluem os tecnólogos dos editais de concurso.

Para Rodrigo Capelato, diretor executivo do Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior no Estado de São Paulo (Semesp), o preconceito tende a diminuir. "É uma questão de tempo. O mercado não pode se dar ao luxo de recusar mão de obra de qualidade."

(O Estado de SP, 14/1)

Graduação em engenharia cresce 67% em cinco anos

Levantamento do Ministério da Educação mostra aumento de 33 mil para 55 mil formandos por ano entre 2004 e 2009

Levantamento divulgado na quinta-feira (13/1) pelo Ministério da Educação mostra que o número de formados na área de engenharia cresceu 67% em cinco anos -após quase duas décadas de estagnação.

O mercado diz, porém, que o volume ainda é insuficiente para atender a demanda. De acordo com o Censo da Educação Superior, o número de concluintes no setor subiu de 33 mil para 55 mil entre 2004 e 2009.

Mas, mesmo com o crescimento, o Brasil está muito atrás de outros países em desenvolvimento, como a Coreia do Sul (80 mil). Devido à carência na área, empresas acabam contratando estrangeiros.

Segundo Nival Nunes de Almeida, da Associação Brasileira de Ensino de Engenharia, o Brasil precisaria formar 80 mil engenheiros/ ano, de acordo com um estudo feito com a Confederação Nacional da Indústria.

Almeida ressalta que parte dos engenheiros vai para o mercado financeiro e não para o setor produtivo.

Responsável pela área técnica do Sindicato da Indústria da Construção Pesada de São Paulo, Helcio Farias afirma que o aumento de formados na área é positivo. No entanto, diz, a demanda cresce mais rapidamente.

Os dados oficiais mostram que, além da quantidade, há também o desafio de melhorar a qualidade. A última avaliação mostrou que um em cada quatro engenheiros se forma em curso reprovado.

O censo do Ministério da Educação confirmou que há uma tendência de aumento de concluintes para lecionar matérias carentes no ensino básico (física, química, biologia e matemática), conforme informou a Folha em setembro -mesmo que em uma quantidade insuficiente.

Outra constatação presente no levantamento é que o ritmo de crescimento universitário perdeu força, ainda que cerca de apenas 15% dos jovens estejam no ensino superior. A meta do governo é chegar a 33% até 2022.

A comparação com dados dos anos anteriores, no entanto, foi prejudicada, pois o MEC tornou mais rígida a coleta de informações.

"O panorama não é bom. Há 40 mil vagas públicas ociosas e 1,6 milhão na rede privada. O governo precisa atuar para preenchê-las", disse Oscar Hipólito, do Instituto Lobo e ex-diretor da USP-São Carlos.

(Fábio Takahashi, Fabiana Rewald, Patrícia Gomes e Angela Pinho)

(Folha de SP, 14/1)