quinta-feira, 31 de maio de 2012

Profissionais da saúde terão acesso a publicações científicas para auxiliar no trabalho

Profissionais da saúde já podem acessar conteúdo científico por meio do portal Saúde Baseada em Evidências. A iniciativa foi lançada ontem (29), através de uma parceria entre o Ministério da Saúde e o Ministério da Educação, por meio da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).


De acordo com o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, estão disponíveis para consulta mais de 31 mil periódicos completos e mais de 200 mil trabalhos acadêmicos digitalizados, entre dissertações de mestrado e teses de doutorado.

"Esse portal de periódicos científicos da Capes ajuda em toda pesquisa no Brasil, toda a vida acadêmica, em todas as áreas do conhecimento, todos nossos estudantes no exterior, bolsistas, pesquisadores, utilizam esse portal como referência, porque ele é muito bem organizado, muito didático. Foi feita uma comissão de cientistas, de especialistas e desenhou quais são os periódicos que interessam ao profissional na ponta, para ele melhorar o atendimento, o tratamento e a saúde", disse Mercadante.

Segundo Mercadante, o objetivo do portal é melhorar a eficiência do trabalho dos médicos no País, já que a proporção é relativamente pequena, com uma média nacional de 1,8 médico para cada mil habitantes. Na Argentina, a proporção é o dobro do que no Brasil.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explica que a ideia é apostar nos profissionais e gestores que já atuam hoje para que eles tenham informações mais atualizadas e possam tomar decisões mais corretas.

"O portal ajuda os profissionais a tratarem num tempo mais adequado as pessoas. Um dos grandes problemas hoje é o tempo de demora, de espera para fechar um diagnóstico, para resolver o tratamento. Com esse portal, lá na ponta, o profissional de saúde, onde estiver, vai poder checar o diagnóstico, qual é a melhor forma de fazer o diagnóstico, pode usar o Telessaúde [sistema do Ministério da Saúde em que os médicos tiram dúvidas pelo telefone] para mandar as informações do exame que fez, pegar uma segunda opinião e, com isso, tratar melhor as pessoas".

O médico Délio Batista Pereira, que atua em Porto Velho (RO), considera a iniciativa muito interessante para todos que trabalham com saúde. "Nós carecemos de bibliotecas de boa qualidade. Os livros são caros, os recursos são escassos e a abertura do portal da Capes para todo profissional de saúde é muito importante para gente manter a atualização e cuidar melhor dos nossos pacientes".

Foram investidos R$ 10 milhões na criação do portal e na compra do acervo digital de sete bancos de dados (Rebrats, Embase, ProQuest Hospital Collection, Atheneu Livros Virtuais, Micromedex, Dynamed e Best Practice - British Medical Journal).

O acesso ao portal será feito com o número do registro profissional (CRM) e uma senha. Já estão cadastrados 920 mil trabalhadores em saúde. A expectativa é que esse número chegue a 1,8 milhões de profissionais.

Confira o portal Saúde Baseada em Evidências: http://www.periodicos.saude.gov.br/.
(Agência Brasil)

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Análise matemática da fala flagra esquizofrenia

Cientistas brasileiros criaram método que estuda a estrutura da conversa.
A forma como alguém conta uma história pode revelar muitas coisas, inclusive transtornos psiquiátricos. Pesquisadores brasileiros criaram um método que consegue identificar pacientes com esquizofrenia e com mania apenas usando a fala.

O trabalho começou a ser desenvolvido em 2006 e, ao longo do tempo, envolveu um time de cientistas de várias especialidades, liderados por uma equipe do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Os pesquisadores criaram um modelo que transforma em gráficos (grafos) o discurso dos pacientes. E, a partir desse padrão, é possível identificar padrões e correlações que são bastante específicos dessas duas psicoses. No experimento, os cientistas analisaram 24 pessoas, sendo oito delas com diagnóstico prévio de esquizofrenia, oito de mania e oito sem psicoses diagnosticadas.

O Método - O primeiro passo é uma entrevista, na qual se pede que os pacientes contem um sonho. Esse relato é gravado e transcrito. Depois, é aplicado um software usado no estudo dos grafos - área que já é consagrada na psiquiatria - que destaca os pontos relevantes da fala dos pacientes. O programa, além de indicar os pontos de conexão da conversa, apresenta as principais diferenças no discurso dos voluntários.

Os resultados são simples de interpretar visualmente. Os grafos dos pacientes com mania são muito mais densos, com várias idas e vindas em relação ao tema do relato. Em geral, a pessoa "se perdia" mais na conversa, uma característica marcante das pessoas com esse transtorno.

Já os grafos dos pacientes com esquizofrenia são mais retilíneos e seguem uma sequência menos caótica. Os pacientes tendem a falar menos, a ser mais contidos no relato de suas experiências.

"Um psiquiatra treinado é capaz de, em uma conversa longa no consultório, chegar às mesmas conclusões. Esses padrões de discurso já são notados. O que nós criamos agora é uma forma mais rápida e quantitativa de abordar a questão", explica Natália Mota, do Instituto do Cérebro, uma das autoras do trabalho, publicado na "PLoS ONE".

Embora os cientistas tenham conseguido taxa de sucesso no diagnóstico de cerca de 93%, bem maior do que os cerca de 67% das escalas mais usadas pelos psiquiatras, Mota ressalta que o método deve complementar as avaliações usadas atualmente. "Ele não substitui a experiência do consultório."

O neurocientista Sidarta Ribeiro, que também participou do trabalho, vê um grande potencial no método. "Por enquanto, nós analisamos apenas a forma com que as coisas foram ditas. A questão semântica ainda não entrou nesse trabalho. Mas nós já começamos uma próxima etapa, que vai juntar tudo isso. Estamos trabalhando para aperfeiçoar essa ferramenta", diz o cientista.

Waldir L. Roque - Ciência sem Fronteiras

Ciência sem Fronteiras, programa recém criado pelo governo federal, visa estimular nos universitários o interesse pela ciência e pesquisa, concedendo bolsas de estudo em universidades de excelência no Exterior. Como proposta, o Ciência sem Fronteiras parece útil, mas é importante chamar a atenção para alguns fatos. Ao regressar de uma visita curta a uma universidade de excelência, além de o estudante de graduação não ter obtido uma formação muito superior à oferecida no Brasil, ele verá o grande contraste nas condições de trabalho, ensino e pesquisa entre a instituição estrangeira e a brasileira, o que pode ser desestimulante e até levá-lo a retornar à instituição no Exterior. Neste caso, a perda será muito maior, pois o estudante que vai para o Exterior, após um curso de graduação ou pós-graduação no Brasil, representa custo zero para o país que o absorve, além de ingressar no mercado de trabalho na sua fase mais produtiva. O estímulo aos estudantes brasileiros passa por boas condições de ensino e pela infraestrutura disponível nas instituições brasileiras, mas aqui encontramos muitas barreiras. As universidades públicas não oferecem boas condições de trabalho aos docentes, incluídas aí questões salariais e da carreira docente. O custo do Ciência sem Fronteiras está estimado em R$ 3,6 bilhões para quatro anos, enquanto o recurso do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação foi reduzido em 22% nos últimos dois anos – um corte de R$ 2,6 bilhões. Os Estados Unidos, mesmo em crise, aumentaram em 2,5% o orçamento da Fundação Nacional de Ciências, órgão equivalente ao CNPq, e a China, um dos países do Brics, ampliou o orçamento em 12,4%. Os cortes brasileiros representam mais uma barreira para o desenvolvimento científico/tecnológico do país. A pesquisa no Brasil é essencialmente realizada nos programas de pós-graduação das universidades públicas, mas esses ainda são herméticos e endógenos. A língua portuguesa é uma barreira natural para atrair estrangeiros a cursarem aqui mestrado e/ou doutorado e ingressarem no mercado de trabalho brasileiro. Tal barreira poderia ser minimizada possibilitando-se a oferta de cursos e a apresentação de dissertações e teses em inglês. São inúmeras as barreiras a serem eliminadas antes de termos, de fato, um Ciência sem Fronteiras capaz de promover o desenvolvimento pleno da ciência, tecnologia e inovação do país.

Waldir L. Roque *PROFESSOR DO INSTITUTO DE MATEMÁTICA DA UFRGS

sábado, 17 de março de 2012

O poder da Matemática

Texto publicado no blog do colunista Merval Pereira.
Têm sido mais comuns do que desejaríamos os sinais de que o ensino de Matemática entre nós está abaixo das necessidades do País, de que são exemplos os dados disponíveis, que mostram uma aprovação de apenas 42,8% dos alunos do 3º ano do ensino fundamental com os conhecimentos básicos de matemática. Em apenas 35 cidades do País, mais da metade dos alunos do 9º ano do ensino fundamental sabem matemática, teriam nota superior a 5. Apenas 11% dos jovens que alcançam a 3ª série do ensino médio têm aprendizado suficiente na matéria.

Roberto Boclin, doutor em Educação e chefe de Gabinete da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, considera que a questão da educação, complexa por si só, "envolve pensamentos políticos que tangenciam o absurdo como currículo único obrigatório na Educação Básica brasileira, como se o País fosse igual, Norte, Sul, Leste e Oeste, não que sejam melhores ou piores, mas distintos em suas tradições, culturas, educação e progresso econômico e social". Por outro lado, destaca que "um currículo com 12 disciplinas, nem na Ásia".

Para ele, os currículos deveriam oferecer "oportunidades de interesse diversificado, variando entre eles pelo menos de 30% a 60% dos conteúdos, com no máximo cinco disciplinas, de modo a atraírem candidatos com propostas mais adequadas às suas realidades e vocações e assim não abandonarem o curso no meio por absoluta falta de interesse".

Como o Ensino Médio é prioridade, pois do seu êxito dependem os caminhos do ensino superior ou do emprego futuro dos candidatos, "são completamente inaceitáveis evasões de 50 a 60 % dos alunos ingressantes, muitos ainda no primeiro ano". As estatísticas oficiais apontam que de cada 100 alunos ingressantes no primeiro ano do Ensino Fundamental, menos de 10 ingressam no ensino superior público.

Boclin diz que "basta olhar para os outros, como os países asiáticos, a Finlândia e historicamente a Alemanha que encontraremos inúmeros modelos que poderão transformar a educação brasileira". Quando acabar a maré favorável dos preços na exportação das Commodities, e for preciso competir na indústria da transformação, "a formação profissional será essencial", destaca Boclin.

Para além dos vexames internacionais em exames como o do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), onde nossos representantes ficaram na 57ª colocação, à frente apenas de alunos de outros oito países, o professor Arnaldo Niskier, da Academia Brasileira de Letras e ex-secretário de Educação do Rio, que selecionou os exemplos da abertura da coluna, vê uma indicação de que perdemos competitividade num mundo cada vez mais dominado pela alta tecnologia, onde a Matemática tem importância fundamental.

"Não resta dúvida sobre a utilidade de seu aprendizado, mesmo para aqueles que não se destinam às carreiras técnicas. Conhecer seus pormenores faz bem até quando o estudante deseja, por exemplo, escolher um curso de filosofia. Platão não foi filósofo e matemático?", analisa Niskier. Ele ressalta que o cérebro humano, com seus reconhecidos 100 bilhões de neurônios, "evoluiu para lidar com o mundo físico e se utiliza da linguagem matemática para cumprir a sua finalidade, nas questões do pensamento".

Niskier destaca o papel da lógica em todo esse processo - um dos pontos do exame Pisa, por sinal - citando o cientista da computação dos Estados Unidos Jeff Raskin: "A lógica humana nos foi trazida pelo mundo físico, e é, portanto, concordante com ele. A matemática deriva da lógica. É por isso que a Matemática é concordante com o mundo físico".

O professor Arnaldo Niskier ressalta que "mesmo trabalhando com incertezas, a ciência dos números tem verdades inabaláveis, como é o caso da geometria euclidiana, hoje tão acreditada como há 300 anos a.C. "A ciência tem cerca de 4 000 anos de vida. Quando é que vamos despertar para o valor disso tudo?"

Também Francisco Antonio Doria, professor da Coppe/UFRJ, matemático e filósofo, membro da Academia Brasileira de Filosofia, toma um exemplo do dia a dia para falar do nosso déficit de Matemática: "Pega um smartphone. Clica em cima do ícone do GPS - distraído, quase sem pensar. Aparecem logo o mapinha e o alfinete virtual que mostram onde você está. Com precisão de centímetros. Por trás desse pequeno milagre da tecnologia está, entre outras coisas, uma das teorias mais abstratas da ciência moderna".

Ele se refere à Teoria da relatividade, que Einstein anunciou e publicou em 1915. Quando foi anunciada, há quase um século, ensina Doria, era "tão pesadamente matemática, tão complexa, tão fora do senso comum, que, dizia-se, apenas meia dúzia de pessoas a compreendiam, naquele tempo".

O pequeno milagre do GPS, lembra, apoia-se nesta "ainda misteriosa teoria matemática de 1915, teoria que faz o GPS funcionar, mas que também nos fala de máquinas do tempo, buracos negros, universos paralelos, coisa na Twilight Zone, série de ficção científica aqui passada com o nome Alem da Imaginação".

A matemática manda em nossas vidas, hoje em dia, e nós mal nos tocamos a respeito, comenta Francisco Doria, que passa a relacionar: as taxas de juros que o Banco Central fixa surgem de uma técnica chamada teoria das metas de inflação, fortemente matemática; computadores funcionam com algoritmos, "e os primeiros exemplos de algoritmos aparecem numa outra área rarefeita, hiperabstrata, da ciência do século XX, a lógica matemática".

Francisco Doria é autor, com Greg Chaitin e Newton da Costa, do livro "Gödel's Way", (Taylor & Francis 2012), onde explica a história "divertida" de Kurt Gödel, matemático vienense, "notório por seu brilho, suas conversas nos cafés, e porque nos seminários aos quais comparecia sempre havia uma moça bonitinha atrás dele, e acabou casando com uma que conheceu num cabaré". Em 1931, anunciou um resultado "tão obscuro e complicado, que dizia de uma espécie de impossibilidade de se esgotar as verdades matemáticas, o teorema da incompletude de Gödel''.

Entre as técnicas usadas para demonstrar seu resultado estão algoritmos - como os que fazem funcionar smartphones e computadores. "Mistura de abstrato e concreto que só a matemática possui", define Doria.

Para ele, "vivemos num mundo imerso em uma matemática, pesada, obscura, difícil - e mal o percebemos. E muito menos no Brasil, onde tem gente que ainda acha que computador é maquininha de jogar games".

O filósofo Francisco Doria não tem dúvidas: "Talento e habilidade matemáticas são essenciais para se fazer capitalismo, para o crescimento econômico - e disso o Brasil tem muito pouco". Ainda estamos, diz ele, "à margem do que movimenta, empurra, o mundo contemporâneo".

Morre Aziz Ab'Saber, Presidente de Honra da SBPC

Aziz Ab'Saber, um dos geógrafos mais respeitados do País, reconhecido internacionalmente, faleceu aos 87 anos, na manhã de hoje (16), às 10h20, de infarto.
Presidente de Honra, ex-presidente e conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ab'Saber é autor de estudos e teorias fundamentais para o conhecimento dos aspectos naturais do Brasil.

Nascido em São Luís do Paraitinga, em 24 de outubro de 1924, Ab'Saber desenvolveu ao longo de sua extensa carreira de cientista centenas de pesquisas e tratados de significativa relevância internacional nas áreas de ecologia, biologia evolutiva, fitogeografia, geologia, arqueologia e geografia. Ele foi presidente da SBPC de 1993 a 1995 e desenvolveu trabalhos no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA/USP) até ontem.

Um dia antes de morrer, o professor, disposto como sempre, fez sua última visita à SBPC, em São Paulo. Em um gesto de despedida, mesmo involuntariamente, ele entregou na tarde de ontem à secretaria da SBPC sua obra consolidada, de 1946 a 2010, em um DVD, para ser entregue a amigos, colegas da Universidade e ao maior número de pessoas.

"Tenho o grande prazer de enviar para os amigos e colegas da Universidade o presente DVD que contém um conjunto de trabalhos geográficos e de planejamento elaborados entre 1946-2010. Tratando-se de estudos predominantemente geográficos, eu gostaria que tal DVD seja levado ao conhecimento dos especialistas em geografia física e humana da universidade", diz Ab'Saber em sua dedicatória.

Ab'Saber morreu antes de ver publicada sua última obra que será o terceiro volume da coleção "Leituras Indispensáveis", a ser publicado pela SBPC.

O terceiro volume da coleção "Leituras Indispensáveis" faz uma homenagem ao trabalho dos primeiros geógrafos no interior do Brasil, como José Veríssimo da Costa Pereira e Carlos Miguel, e às primeiras expedições de Candido Mariano da Silva Rondon, o Marechal Rondon (1865 a 1958). "Essa é uma homenagem a eles", disse Aziz, em sua última entrevista ao Jornal da Ciência. O livro contempla também trabalhos sobre a cidade de São Paulo.

Prêmios - Ab'Saber, que também foi professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, recebeu diversas láureas, como o Prêmio Jabuti em ciências humanas (1997 e 2005), e em ciências exatas (2007); o Prêmio Almirante Álvaro Alberto para Ciência e Tecnologia (1999), concedido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia; a Medalha de Grão-Cruz em Ciências da Terra pela Academia Brasileira de Ciências; e o Prêmio Unesco para Ciência e Meio Ambiente (2001).

Código Florestal - Ab'Saber, em suas últimas declarações sobre o novo Código Florestal, criticou o texto por não considerar o zoneamento físico e ecológico de todo o País, como a complexa região semi-árida dos sertões nordestinos, o cerrado brasileiro, os planaltos de araucárias, as pradarias mistas do Rio Grande do Sul, conhecidas como os pampas gaúchos, e o Pantanal mato-grossense. Na ocasião, ele chegou a defender a criação do Código da Biodiversidade para contemplar a preservação das espécies animais e vegetais.

(Viviane Monteiro - Jornal da Ciência)

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Novo escolhido para a Ciência possui perfil técnico

SABINE RIGHETTIDE SÃO PAULO


A escolha do físico Marco Antonio Raupp para comandar o Ministério da Ciência e Tecnologia mostra uma preferência da presidente Dilma Rousseff por um perfil técnico e gerencial para a pasta.Raupp carrega no seu currículo passagens pelo comando do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e da AEB (Agência Espacial Brasileira). Também é pesquisador-titular do LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica).Foi presidente da SPBC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), principal entidade científica do país. É a SBPC que encabeça as discussões correntes sobre a política científica e tecnológica, e atua como uma espécie de interlocutor entre os cientistas e o governo.Mas foi na AEB que Raupp ganhou mais projeção. À frente da instituição nos últimos dez meses, onde esteve por indicação de Aloizio Mercadante, Raupp tentou fazer uma espécie de "varredura".A missão dele era sincronizar o complicado calendário espacial brasileiro, que coleciona atrasos no envio de satélites nacionais e está distante do setor privado. "Falta uma Embraer no setor espacial", ele costumava dizer.Uma das ideias mais ousadas do físico ao sair do Inpe para assumir a AEB foi tentar unir as duas instituições. Para Raupp, não faz sentido o país ter uma instituição para fazer pesquisa, formar pessoas e projetar satélites (o Inpe) e outra para coordenar a política espacial (a AEB).Do ponto de vista acadêmico, Raupp também tem um currículo denso. Fez doutorado em matemática na Universidade de Chicago e é livre-docente pela USP.Também foi professor adjunto da UnB (Universidade de Brasília) e professor do IME (Instituto de Matemática e Estatística) da USP.Além de sua ligação com a pesquisa espacial, Raupp gosta de assuntos ligados à inovação. Ele segue a linha de Mercadante na tentativa de ligar o setor acadêmico ao privado.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Enem se firma como atalho às federais

Autor(es): MARIANA MANDELLI
O Estado de S. Paulo - 16/01/2012

Por meio do Sistema de Seleção Unificada, 108.527 estudantes usam nota do Enem e obtêm vaga em 95 universidades e institutos federais do País


A maior edição do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) aprovou, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), 108.527 candidatos em 95 universidades e institutos federais de ensino superior de todo o Brasil. Com um histórico de falhas, as inscrições do Sisu deste ano ocorreram normalmente. O número de calouros equivale a dez vezes o total de vagas anuais da Universidade de São Paulo (USP) e a mais de 31 vezes o que a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) oferece em seu vestibular.

Os dados da primeira chamada do Sisu mostram a força da Região Sudeste. O Rio foi a unidade da federação com o maior número de inscrições: 381.721. Minas Gerais, com 367.259, e São Paulo, com 292.742, aparecem a seguir.

O curso mais concorrido também está na região: é o de Administração no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (Cefet-MG), com 1.248 candidatos para cada uma das oito vagas.

O Cefet-MG também é dono da segunda e quarta carreiras mais desejadas: Engenharia de Produção Civil (874 candidatos por vaga) e Letras (511), respectivamente - de todos os cursos, nenhum registrou menos de seis interessados por cada vaga disponível.

Já o curso que registrou o maior número absoluto de inscritos, com mais de 21 mil pessoas, foi Análise e Desenvolvimento de Sistemas, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo (IFSP). O segundo lugar também é paulista: Ciência e Tecnologia da Universidade Federal do ABC (UFABC), com mais de 19 mil interessados em cursá-lo.

Nordeste. Apesar dos números impressionantes da Região Sudeste, foi uma instituição nordestina que registrou o maior número - quase 172 mil - de inscrições: a Universidade Federal do Ceará (UFC). Entre as suas 4.197 vagas distribuídas em mais de 100 cursos, foram as de Administração as que registraram o maior interesse.

Outro destaque do Nordeste vai para a Universidade Federal do Piauí (UFPI), terceira colocada - está atrás da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) - no número de inscritos: quase 130 mil. Pedagogia, com 15 mil interessados, foi o curso mais procurado.

Para entender a dimensão do maior processo seletivo para o ensino superior do País, veja ao lado o raio X do Sisu preparado pelo Estado.