sábado, 9 de abril de 2011

Tarefa de governo: premiar – ou reprovar – os professores

O diretor para educação da OCDE diz que melhoria do ensino exige preparar e recompensar os bons docentes. E tirar da sala de aula os maus profissionais

Nathalia Goulart
Schleicher: avaliação periódica dos docentes é útil aos próprios professores

Schleicher: avaliação periódica dos docentes é útil aos próprios professores (Pauilo Giandalia)

"Nos sistemas mais avançados de ensino do mundo, a carreira é preenchida por profissionais de alto nível. Isso, e não os altos salários, é o que torna a profissão atraente"

Às voltas com o mau desempenho de estudantes brasileiros, do ensino fundamental ao superior, o Ministério da Educação promete criar em breve um exame nacional para avaliar candidatos a professores. É o reconhecimento daquilo que diversos estudos empíricos vêm demonstrando: fazer a educação funcionar passa pelo aprimoramento dos docentes. O desafio não é exclusivo do Brasil. O jornal americano Los Angeles Times comprou uma briga com docentes locais, que pediram boicote à publicação, ao exibir um ranking em que o (mau) desempenho dos estudantes era atrelado ao de seus mestres. Situações como essas chamaram a atenção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), entidade formada por nações desenvolvidas, que acaba de realizar em Nova York o Primeiro Encontro Internacional sobre Professores, reunindo educadores, governos e ONGs. Para o físico alemão Andreas Schleicher, diretor para educação da OCDE e um dos coordenadores do encontro, governos de todo o mundo têm uma tarefa a cumprir: ensinar melhor seus professores, mantê-los motivados, premiar os bons profissionais - e reprovar os mal avaliados. "A meritocracia é um princípio muito importante. Manter a eficiência de um corpo docente implica não apenas dar aos professores oportunidade, apoio e incentivo para que continuem a fazer bem seu trabalho, mas também tirar da sala de aula aqueles que não são eficazes", diz. Na entrevista a seguir, Schleicher explica o atual desafio da carreira docente e conta como nações como Japão, Finlândia e Singapura vêm conseguindo bons resultados na área. "Nos sistemas mais avançados de ensino do mundo, a carreira é preenchida por professores de alto nível. Isso, e não os altos salários, é o que torna a profissão atraente."

Por que realizar um evento para repensar exclusivamente o papel dos professores? Mais do que nunca, o progresso social depende da qualidade dos sistemas de educação. Porém, a qualidade do sistema de educação jamais excede a qualidade de seus professores - que depende de seleção, formação continuada, plano de carreira e avaliações constantes.

De acordo com especialistas, aprimorar a formação do professor é um dos grandes desafios brasileiros na área da educação – e também uma questão fundamental para o desenvolvimento do país. Outra nações enfrentam o mesmo problema. É possível dizer que essa é uma questão universal no século XXI? Sim, absolutamente. E a razão é simples: em qualquer país, sempre existiram bons professores. A diferença é que no passado apenas uma parte da população precisava ser educada para liderar o desenvolvimento do país. Mas o custo social e econômico dessa filosofia tornou-se alto demais. Atualmente, os sistemas de educação precisam qualificar todos os seus professores, e não só alguns, se quiserem que todos os seus cidadãos tenham um ensino de qualidade. Além disso, no passado era possível supor que o que se aprendia na escola valeria para a vida inteira. Agora, temos o Google e a digitalização das habilidades cognitivas, com mudanças rápidas no mercado de trabalho: os sistemas de educação precisam proporcionar formas complexas de pensar e trabalhar para que as pessoas não sejam substituídas facilmente pelo computador.

Essa tarefa exige professores de qualidade. Como atrair os maiores talentos? Nos sistemas mais avançados de ensino do mundo, a carreira é preenchida por profissionais de alto nível. Isso, e não os altos salários, é o que torna a profissão atraente em países tão diferentes como Finlândia, Japão ou Singapura. Os candidatos a uma vaga de professor não se sentem atraídos por escolas organizadas como linhas de montagem. Eles desejam se deparar com uma organização de alta performance, com status, autonomia profissional e educação de alta qualidade atrelada ao profissionalismo, com sistemas eficazes de avaliação profissional e com carreiras diferenciadas. Portanto, essas são as questões que os países precisam resolver.

Quais os desafios dos governos? O primeiro é atrair candidatos qualificados e depois oferecer-lhes formação de boa qualidade. É difícil atrair bons candidatos se eles percebem que as instituições de ensino superior que formam professores não têm status na sociedade. Não é de espantar o fato de que os países que conseguiram elevar o nível de seu corpo docente são os mesmos que tornaram mais rígidos os critérios de admissão em seus programas de formação de professores. Igualmente importante é definir o que é um bom professor. Em muitos países, padrões assim guiam a formação inicial dos profissionais, a certificação, as avaliações de desempenho, o desenvolvimento profissional e o avanço na carreira. Em muitos sistemas de alta performance, a educação do professor não consiste apenas em fornecer o treinamento básico em temas relevantes e pedagogia, mas também desenvolver competências para a prática reflexiva.

O Brasil aplicará pela primeira vez uma avaliação nacional para seleção de professores da rede pública. É uma medida positiva? A avaliação do professor pode contribuir para a melhoria das práticas docentes, identificando pontos fortes e fracos. Também ajuda a atribuir aos professores a correta responsabilidade pelo nível do aprendizado de seus alunos. É um tipo de prestação de contas. Em geral, os professores veem avaliação e feedback de forma positiva. Em uma pesquisa realizada pela OCDE, 80% dos professores disseram que a avaliação é útil para o desenvolvimento profissional, e quase metade relatou que os resultados os levaram a aprimorar o conhecimento.

Há algumas iniciativas no Brasil de promover o professor por seu mérito. Porém, essa ainda é uma questão controversa entre os profissionais. A meritocracia é um princípio muito importante. Manter a eficiência de um corpo docente implica não apenas dar aos professores oportunidade, apoio e incentivo para que continuem a fazer bem seu trabalho, mas também tirar da sala de aula aqueles que não são eficazes.

A questão salarial é muitas vezes apontada como obstáculo ao avanço da qualidade. Como o senhor enxerga essa questão? Em alguns países, como Japão e Singapura, o governo acompanha de perto as variações de mercado para se certificar de que os salários dos professores são competitivos. Mas, na maioria dos países, os vencimentos são inferiores aos de outros profissionais graduados. No entanto, há muitos países onde o ensino ainda é atraente porque oferece aos professores um ambiente de trabalho fascinante e o salário se torna apenas o pano de fundo da questão. Igualmente, é importante oferecer um plano de carreira aos docentes. Se você disser a um jovem professor de matemática de 25 anos de uma escola primária que, daqui a 25 anos, ele continuará sendo a mesma coisa, ele não verá perspectivas em seu futuro. Os países bem sucedidos em educação promovem um ambiente que oferece novos horizontes ao professor, com crescimento profissional.

Que habilidades os professores devem ter para enfrentar os novos desafios da educação? Eles precisam equipar os alunos com as competências necessárias à formação de cidadãos ativos. Precisam personalizar as experiências de aprendizado para assegurar que todo estudante tenha a chance de ter sucesso e lidar com a crescente diversidade da sala de aula e as diferenças no estilo de aprendizado. Eles também precisam lidar com as inovações no currículo, na pedagogia e no desenvolvimento das ferramentas digitais.

A tecnologia é um desafio aos professores? Bons professores usarão bem as tecnologias – e, ao falar de tecnologia, me refiro tanto a recursos digitais quanto ao repertório adequado de estratégias pedagógicas.

Hora de peitar os sindicatos

"Antes que a patrulha trate de pôr palavras na minha boca, eu me adianto. Não sou contra a existência de sindicatos, mas acho que eles devem ser vistos como defensores de seus próprios interesses. Seu peso no discurso público deve ser temperado por essa realidade "

Quando se fala sobre a política da saúde em relação ao tabagismo, os representantes dos fabricantes de cigarro raramente são trazidos para o debate. Essa exclusão não se dá pelo seu desconhecimento da questão, já que eles claramente conhecem o produto mais do que a maioria de seus interlocutores, nem porque haja algum preconceito contra essas pessoas — entendemos que elas estão fazendo esse trabalho para sustentar suas famílias, e não por um desejo de matar milhões de pessoas por ano. Desconsideramos suas opiniões porque sabemos que elas não terão em mente o bem público, mas única e exclusivamente o ganho de sua empresa. São parte interessada na questão e, portanto, sabemos que seu julgamento será influenciado por vieses potencialmente conflitantes com o interesse comum.

Na área da educação, que é tão importante quanto a da saúde, não é assim. Se você tem frequentado a imprensa brasileira nas últimas décadas, sua visão sobre educação será provavelmente idêntica à dos sindicatos de professores e trabalhadores em educação. Você deve achar que o país investe pouco em educação, que os professores são mal remunerados, que as salas de aula têm alunos demais, que os pais dos alunos pobres não cooperam, que deficiências nutritivas ou amorosas na tenra infância fazem com que grande parte do alunado seja “ineducável” e que parte do problema da nossa educação pode ser explicada pelo fato de que as elites não querem um povão instruído, pois aí começarão os questionamentos que destruirão as estruturas do poder exploratório dessas elites. Não importa que todas essas crenças, exceto a última, sejam demonstravelmente falsas quando se cotejam décadas de estudos empíricos sobre o assunto (a última não resiste à lógica). Todas elas vêm sendo defendidas, ad nauseam, pelas lideranças dos trabalhadores da educação. E, como são muito pouco contestadas, acabaram preenchendo o entendimento sobre o assunto no consciente coletivo, e já estão de tal maneira plasmadas na mente da maioria das pessoas que todas as evidências apresentadas em contrário são imediata e automaticamente rechaçadas. É como se ainda negássemos a ligação entre o cigarro e o câncer de pulmão.

A sociedade brasileira parece não reconhecer que os sindicatos de professores pensam no bem-estar de seus membros, e não no da sociedade em geral. Incorporamos a ideia de que o que é bom para o professor é, necessariamente, bom para o aluno. E isso não é verdade. Cada vez mais a pesquisa demonstra que aquilo que é bom para o aluno na verdade faz com que o professor tenha de trabalhar mais: passar mais dever de casa, mais testes, ocupar de forma mais criativa o tempo de sala de aula, aprofundar-se no assunto que leciona. E aquilo que é bom para o professor — aulas mais curtas, maior salário, mais férias, maior estabilidade no emprego, maior liberdade para montar seu plano de aulas e para faltar ao trabalho quando for necessário — é irrelevante ou até maléfico para o aprendizado dos alunos.

É justamente por haver esse potencial conflito de interesses entre a sociedade (representada por seus filhos/alunos) e os professores e funcionários da educação que o papel do sindicato vem ganhando importância e que os sindicatos são tão ativos politicamente, convocando greves, passeatas, manifestando-se publicamente com estridência etc., da mesma maneira que a indústria tabagista ou de bebidas faz mais lobby do que, digamos, os fabricantes de fralda.

Uma das razões que tornam os sindicatos tão poderosos é que eles funcionam. Estudo do fim da década de 90 mostrou que, entre os professores brasileiros, a sindicalização era o fator mais importante na determinação do seu salário: os filiados tinham salários 20% mais altos que os independentes.

Outras pesquisas sobre o papel do sindicato dos professores trazem resultados curiosos. Estudo de um economista de Harvard tentando entender o porquê da queda da qualidade das pessoas que optaram pela carreira de professor nos EUA entre 1961 e 1997 encontrou dois fatores: um deles, que explica três quartos do problema, era a crescente sindicalização dos professores, causando compressão salarial (o outro fator era a emancipação feminina, já discutida aqui em artigo anterior). Quando um sindicato se “adona” de uma categoria, a tendência é que os salários de seus membros deixem de ser um reflexo de seu mérito individual e passem a ser resultado de seu pertencimento a alguma categoria que possa ser facilmente agregável e discernível — como ter “x” anos de experiência ou ter feito uma pós-graduação, por exemplo —, pois só assim é possível estabelecer negociações salariais coletivas, para milhares de membros. E só com negociações coletivas é que se torna possível a um sindicato controlá-las. Talvez seja por isso que os aumentos salariais tenham se provado ferramenta tão ineficaz na melhoria da qualidade da educação: as pessoas mais competentes parecem não fugir do magistério pelo fato de o salário ser alto ou baixo, mas sim por seu salário não ter nenhuma relação com seu desempenho. Nenhum ás quer trabalhar em lugar em que recebe o mesmo que os vagabundos e incompetentes. Talvez seja por isso que outro estudo mostrou, paradoxalmente, que a filiação a um sindicato afeta de forma significativamente negativa a satisfação dos professores com a sua profissão. É o preço a pagar pelo aumento salarial.

O outro estudo que conheço sobre o tema é do alemão Ludger Wossmann, que comparou dados de 260 000 alunos em 39 países. Uma de suas conclusões é que naquelas escolas em que os sindicatos têm forte impacto na determinação do currículo os alunos têm desempenho significativamente pior (todos os estudos mencionados aqui estão na íntegra em twitter.com/gioschpe).

Quando ouvir um membro desses sindicatos se pronunciando, portanto, é mais seguro imaginar que suas reivindicações prejudicam o aprendizado do que o contrário. E, especialmente quando a questão for salarial, é preciso levar em conta que não apenas os professores são beneficiados por seu aumento, como os sindicatos também, já que são mantidos por cobranças determinadas através de um porcentual do salário.

Antes que a patrulha trate de pôr palavras na minha boca, eu me adianto: não sou contra a existência de sindicatos de professores, nem contra o lobby da indústria do cigarro, da bebida ou das armas. O direito de livre associação e expressão é um pilar inviolável de um estado democrático, e está acima até mesmo do aprendizado de nossos alunos. Só acho que os sindicatos e seus representantes devem ser vistos pelo que são: defensores de seus próprios interesses. Seu peso no discurso público deve ser temperado por essa realidade.

Esse insight causa dois impactos importantes. O primeiro é que nós, os defensores da melhoria educacional do país, estamos sós. O sindicato dos professores não é nosso parceiro e a união dos alunos deixou há muito de defender os interesses educacionais do alunado, trocando-o pela generosa teta do Erário e pelo triste mercantilismo da emissão de carteiras vale-desconto. Não podemos esperar por movimentos organizados para abraçar essa causa: precisamos criar nós mesmos essa união, que será inclusive boicotada pelo status quo.

O segundo é que, toda vez que uma organização com esses nobres fins se forma, o cacoete de buscar uma parceria com os representantes dos professores é o beijo da morte. Se quisermos defender exclusivamente o interesse do alunado, a relação com os sindicatos de trabalhadores da educação será provavelmente adversarial, talvez neutra, jamais colaborativa. Ou você já viu oncologista fazer parceria com a Souza Cruz ou o “Sou da Paz” de mãos dadas com a Taurus?

Gustavo Ioschpe é economista


quarta-feira, 30 de março de 2011

A luta pelo direito da pessoa com deficiência auditiva em encontrar livros em LIBRAS

Por Renata Soares

Ana Carolina Praxedes aprendeu a se comunicar com a Língua Brasileira de Sinais desde bem pequena, já que, ainda bebê, ficou surda. Formada em Pedagogia com especialização em Materiais Pedagógicos, ela é autora de jogos educativos elaborados em Libras, uma espécie de suporte aos alunos que estão começando a aprender o português.

Segundo a especialista, essa é uma ferramenta essencial para reconhecer o significado das palavras e deve ser inserida de maneira paralela ao aprendizado da Língua Portuguesa. Ana, mais que ninguém, sabe da importância do acesso à informação dessa linguagem, já que, além de atuar profissionalmente na área, tem a experiência pessoal como fonte de motivação. "Tive que superar a dificuldade de outras tantas pessoas com deficiência, que encaram o problema da falta de livros e pouca variedade deles durante o processo de alfabetização", conta a especialista.

O Ministério da Educação e Cultura (MEC) exige que todas as escolas se adequem à diversidade linguística de seus estudantes, criando formas igualitárias de acesso ao material escolar, didático e de pesquisa. "Para pessoas com surdez, isso significa ter disponível o livro traduzido em Libras e materializado em software específico que comporte um vídeo na língua dos sinais", esclarece Neiva Albres, fonoaudióloga e pedagoga.

A profissional adianta que o MEC tem trabalhado na produção desse material, e que as enuobras selecionadas e adquiridas para o plano de 2011 deverão ser entregues em breve. "Esses livros devem integrar também o Acervo Digital Acessível, um espaço virtual que estará disponível no portal do Ministério. Estamos vivendo um momento de mudança, em que ações são desenvolvidas para minimizar a desigualdade social", afirma.

Se na teoria tudo é perfeito, na prática o cenário é outro. Neiva chama a atenção para um dado preocupante: a dificuldade das pessoas com deficiência auditiva em ter acesso à cultura se deve ao fato de poucas editoras estarem preocupadas com a causa.

De grão em grão
"O acesso aos livros em sua línguamãe (no caso do surdo, a Libras) é uma forma de trabalhar com o conhecimento de mundo, por meio de situações reais e contextualizadas, com sequência de fatos e acontecimentos", enumera a pedagoga Débora Rodrigues Moura, mestre em Línguística Aplicada pela PUC-SP. A pedagoga reforça que a leitura de uma obra regular mesmo para o surdo que tem o domínio do português é uma atividade realizada em um idioma diferente.

É preciso que as bibliotecas com um bom acervo nessa linguagem tenham exemplares de assuntos diversos, de história contemporânea a materiais didáticos. "A criança deve ter acesso a vários tipos de textos e gêneros discursivos. É uma maneira de utilizar a leitura e a escrita com diferentes propósitos e práticas sociais. Com a criança surda não é diferente. Essa diversidade é igualmente necessária", alerta Débora.

O conceito é compartilhado pela Biblioteca Pública Anísio Teixeira, em Salvador (BA), que embora conte com um acervo pequeno de livros na língua dos sinais, mantém um setor de atendimento especial para pessoas com deficiência auditiva. "Estamos começando. De um total de 14 mil obras, nosso acervo em Libras conta com 40 títulos, alguns periódicos, DVDs com histórias, documentários e contos infantis", explica a diretora Laura Galvão.

"Ter uma biblioteca com livros em Libras é garantir que qualquer pessoa tenha acesso à cultura em sua primeira língua"
defende Débora Moura, mestre em Línguística Aplicada pela PUC-SP

A frequência dos usuários que procuram o acervo especial é quase 20% da procura geral da biblioteca. A biblioteca, que deu início às atividades do Setor de Atendimento à Criança e ao Adolescente Surdo (SACAS) há apenas dois anos, ainda encontra dificuldades para prosseguir. Segundo Laura, a demanda cresce e nem todas as solicitações podem ser atendidas.

"Apesar do suporte que recebemos da Fundação Pedro Calmon, precisamos de mais títulos, CDs e DVDs para esse público. Doações são mais do que importantes, já que o papel da biblioteca pública é socializar e dar ao leitor espaço organizado onde possa buscar e trocar informações gratuitamente", explica a diretora.

Opinião dos educadores
De acordo com Roger Prestes, professor de Libras e educador de surdos há nove anos, a importância envolve a quantidade de informação que uma pessoa com deficiência auditiva, de acordo com o número de livros que encontra em sua língua. "Considero muito importante iniciativas como estas das prefeituras. Um acervo de livros e dicionários em Libras facilita a procura por informação", comenta.

Surdo também, Prestes leciona atualmente na Escola Municipal de Ensino Fundamental Especial para Surdos, da Secretaria de Educação de Canoas, no Rio Grande do Sul. De acordo com o professor, toda biblioteca deveria ter obras de referência como "A Imagem dos Outros sobre Cultura Surda", de Karin Strobel, e "Estudos Surdos", de Gladis Perlin. "Sei como é difícil encontrar material apropriado nas livrarias e bibliotecas e quero ajudar meus alunos de alguma forma, nem que seja cobrando das autoridades, editoras e autores que olhem para esse público carente de cultura", diz.

Como pedagoga, Ana Carolina avalia como é importante a difusão da língua dos sinais em livros, apostilas e jogos educativos que ajudem os surdos a conhecerem sua linguagem própria. "Mas, como pessoa com deficiência auditiva, gosto das obras em português e historinhas filmadas em Libras", diverte-se.

Fonte: Revista Sentidos

Pesquisa diz que principais alvos de bullying são alunos populares na escola

Estudo ouviu 3.722 alunos e concluiu que bullying é uma forma de competição social

O bullying é praticado como uma forma de ganhar popularidade, e seus alvos nas escolas são garotos com status médio ou alto entre seus colegas.

A conclusão é de uma pesquisa da Universidade da Califórnia publicada no American Sociological Review. Foram ouvidos 3.722 alunos dos últimos anos do ensino fundamental (equivalente ao primeiro grau) de três condados no Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos.

As entrevistas apontam que a violência funciona como um mecanismo de competição para aumentar o status no universo estudantil, mais do que para maltratar nerds ou excluídos. Esses não seriam as maiores vítimas de bullying, segundo o estudo.

Isso não quer dizer que eles estejam totalmente fora da mira dos agressores, afirma o professor de sociologia Robert Faris, responsável pela pesquisa, em entrevista para o jornal New York Times.

- [o bullying acontece] talvez com alguém bem à sua frente ou do seu lado, mais do que com crianças isoladas e desprotegidas. Isso não quer dizer que elas não sofram [bullying], porque elas sofrem. Mas a taxa geral de agressões cresce conforme o status cresce [dentro da escola].

Os que estão no meio e no alto da pirâmide da popularidade, em colégios e escolas, são tanto os que mais sofrem agressões quanto os que mais praticam, ressalta Faris.

- A maior parte do bullying acontece entre os que estão no meio e no topo do status social. Mais do que praticar a violência contra os alunos às margens do círculo escolar, os alvos do bullying são os potenciais rivais em termos de popularidade.

Surpresa
Com o uso de grandes mapas sociais das escolas dos três condados avaliados, pesquisadores toparam com uma surpresa: apesar de a agressividade crescer conforme cresce o status, os 2% mais populares entre os alunos apresentaram menos tendência a serem violentos.

- No topo, começa a haver uma reversão. As crianças entre os 2% [mais populares] são menos agressivas. Eu avalio que chega um momento em que elas não precisam mais competir, porque estão no topo da pirâmide. Mais agressão seria contraprodutivo [para a popularidade].

Desequilíbrio
A pesquisa afirma que o bullying não está ligado necessariamente a um desequilíbrio emocional, mas pode ser um passo calculado como tentativa de obter status. O resultado contradiz a ideia de que o agressor é desajustado ou agressivo por natureza.

    Pais e educadores estão quase sempre desinformados sobre o estresse diário e as agressões que os estudantes passam, aponta o autor do estudo.


- As pesquisas sobre bullying vêm focando nessa dinâmica de antagonismo crônico contra jovens socialmente isolados, ignorando essas outras formas de agressão. É bem possível que um ato, um rumor espalhado na internet possa ser devastador [para a popularidade e o psicológico de um aluno].

Fonte: R7

Prova vai detectar nível de alfabetização no início do Ensino Fundamental

A Prova ABC é uma iniciativa do Movimento Todos pela Educação e do Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a Fundação Cesgranrio e o Inep

Amanda Cieglinski
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Alunos matriculados no 4° ano do ensino fundamental participam nesta semana de uma nova avaliação que pretende detectar o nível de alfabetização das crianças que completaram os três primeiros anos desse nível de ensino. A Prova ABC é uma iniciativa do Movimento Todos pela Educação e do Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a Fundação Cesgranrio e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

As avaliações oficiais existentes hoje no país medem o desempenho dos alunos a partir do 5° ano do ensino fundamental. Para a diretora executiva do Movimento Todos pela Educação, Priscilla Cruz, é importante que o Brasil implemente um instrumento para medir a alfabetização dos alunos mais novos, de forma que as políticas públicas possam ser corrigidas a tempo.

“Se você não tem uma criança alfabetizada plenamente até os 8 anos de idade, o aprendizado a que ela tem direito no futuro não ocorrerá. O instrumento inicial de compreensão do mundo é a alfabetização”, afirma.

Foram selecionados 6 mil alunos de 262 turmas de escolas municipais, estaduais e particulares de todas as capitais do país para participar da prova. Os resultados estão previstos para a segunda quinzena de junho.

Desde 2008 o Ministério da Educação envia às escolas públicas do país a Provinha Brasil, um teste aplicado pelos próprios professores a alunos do 2° ano do ensino fundamental. Os resultados não são divulgados e servem apenas como diagnóstico para os educadores avaliarem o nível de aprendizagem dos estudantes. Priscilla acredita que é necessária uma prova externa e que cubra todo o país.

“Avaliação não é para punir ninguém, mas um instrumento para garantir a qualidade. O direito de aprender está na Constituição Federal, mas como a sociedade pode exigir se não há uma avaliação externa que diga se elas estão aprendendo ou não?”, pergunta.

Em 2008, dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que 1,3 milhão de crianças e adolescentes brasileiros de 8 a 14 anos não sabiam ler nem escrever. Desse total, 84,5% frequentavam a escola.

Edição: Graça Adjuto

Fonte: Agência Brasil

segunda-feira, 28 de março de 2011

Professor americano defende uma nova sociologia da infância

Há mais de três décadas, o sociólogo norte-americano William Corsaro, professor na Universidade de Indiana, tem se dedicado a estudar a forma como crianças a partir dos 3 anos interagem

PATRÍCIA GOMES
DE SÃO PAULO

Há mais de três décadas, o sociólogo norte-americano William Corsaro, professor na Universidade de Indiana, tem se dedicado a estudar a forma como crianças a partir dos 3 anos interagem.

Corsaro vai até escolas e pré-escolas, senta-se em um canto e observa. Dessa "posição privilegiada", de quem procura não interferir no que está vendo, o sociólogo conseguiu estabelecer um método que considera único para essa faixa etária, com observações feitas com crianças e não apenas sobre elas.

Ao frequentar tantas escolas desde a década de 1980 e ver os primeiros grupos de crianças estudadas se tornarem pais e mães, Corsaro percebeu que as crianças, mesmo pequenas, não vivem só de imitar os adultos.

Elas têm, segundo o professor, sua própria maneira de interagir com os outros e com o mundo à sua volta, elas estabelecem regras, desafiam os maiores e procuram formas alternativas de serem aceitas.

"As crianças aprendem estratégias de interação entre e com elas mesmas", diz.

Para Corsaro, muito do aprendizado na faixa etária pré-escolar advém apenas do fato de as crianças estarem em contato umas com as outras, sem imposições ou atividades coordenadas.

"Elas deveriam ter mais oportunidade para brincar livremente, com menos intervenção dos professores. A pré-escola não pode ser só uma preparação para a escola."

O sociólogo, no entanto, não minimiza a importância de, com a supervisão de adultos, serem propostas brincadeiras que as estimulem e as desafiem.

"As regras são necessárias, mas elas não podem inibir a criatividade", opina.

O resultado das décadas de observações de Corsaro está no livro "Sociologia da Infância" (Artmed), que acaba de ter sua segunda edição, ampliada e revisada, lançada no Brasil.

Fonte: Folha.com

Professores: interação com alunos pode cair à metade da jornada de trabalho

Comissão de Educação do Senado deve votar amanhã projeto que assegura aos docentes que trabalham em tempo integral o cumprimento de metade da carga horária em atividades fora da sala de aula

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado deve votar amanhã, em turno suplementar, substitutivo ao projeto que assegura aos professores que trabalham em tempo integral o cumprimento de metade da carga horária em atividades fora da sala de aula, como estudo, planejamento e avaliação, além de outras que não incluam a interação com os alunos prevista no plano curricular. O Projeto de Lei 397/08, foi apresentado pela ex-senadora Fátima Cleide (PT-RO) e modifica parte do artigo 67 da Lei de Diretrizes e Bases daEducação (LDB).

Ainda de acordo com o projeto, os professores que trabalhem com uma carga semanal menor terão direito a pelo menos um terço do horário fora de sala de aula. Pela redação atual da lei, é garantido aos professores um período reservado para essas atividades, mas não há determinação do tempo que será ocupado por elas. Resolução do Conselho Nacional de Educação, de 1997, determina que essas atividades ocupem entre 20% e 25% da carga horária.

Na justificativa do projeto, a autora argumenta que não é possível esperar um trabalho qualificado de um profissional do magistério "desmotivado, com baixo salário, sem estímulos na carreira, sem oportunidades de formação continuada e, principalmente, com uma jornada estafante".
Piso salarial

O Supremo Tribunal Federal deve julgar, na próxima quarta-feira, o mérito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4.167), impetrada em 2008 por cinco estados, e que contesta pontos da Lei 11.738, sancionada no mesmo ano, também conhecida como Lei do Piso do Magistério. O piso estabelecido pelo governo federal é de R$ 1.187.

Fonte: Jornal de Brasília (DF)